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sábado, 2 de maio de 2009

Regard vers l'ailleurs

Regarder vers l’ailleurs... “Regarder”, garder d’une autre fois. Regarder vers l’ailleurs peut signifier faire attention à une autre culture, à un autre peuple, pourtant cela peut aussi signifier regarder notre propre culture avec un regard différent.

L’homme n’est pas toujours le même. Il change, ses pensées et, par conséquence, la manière de voir l’autre, de vivre avec quelqu’un. Cette vision change pourvu que les expériences (les bonnes et les mauvaises) vécues ont des influences fondamentales dans leurs vies.

On peut regarder vers l’ailleurs d’une façon honnête quand on a la volonté d’ouvrir l’esprit à l’autre, d’essayer de comprendre l’être humain comment il est, malgré les différences culturelles, des générations, des status sociaux. Les différences doivent être des estimulants pour qu’on puisse établir des relations.

« Regarder vers l’ailleurs » peut être une excellente chose dès le moment qu’on voit qu’on peut apprendre avec l’autre, que nous ne sommes pas les maîtres de la vérité. Mais l’envers est aussi possible. Quand on a des conceptions formées avant connaître l’autre, le regard vers l’ailleurs, vers l’autre sera plein de méchancité et de préjugé. Ce regard a, par conséquence, la discrimination, les différences sociales et... parfois, à l’extrême, la guerre.

Il faudrait commencer, d’abord, toujours par la différence qui existe entre « regarder » et « voir ». Vivement qu’on commence à regarder plus qu’à voir.

domingo, 12 de abril de 2009

Um livro sobre o amor à leitura

Aula de francês em Perpigan (sul da França), lá estava este projeto de escritora, na sala, sentada durante o intervalo. Chega um senhor – aparentava ter uns 40 e poucos anos – de cabelos grandes, lisos e aloirados. “O que você está lendo?”, perguntou-me. Mostrei La Curée de Émile Zola e ele com um sorriso (uma das características mais marcantes dele) perguntou o motivo. Falamos um pouco da obra, do meu curso de francês no Brasil. Na segunda, terceira vez que veio conversar comigo eu estava sem saber o que falar. Explico: além da minha típica timidez, o Monsieur era meu professor de francês, o qual falava a língua perfeitamente (óbvio!), de uma maneira tão sonora e tão bela que parecia o canto de uma sereia.

Foi então que, como um ato de defesa, para ter o que falar e não ficar tomada pelo silêncio, pedi-lhe algumas dicas de leitura. Ele perguntou que gênero eu gostaria de ler e respondi que “queria uma leitura moderna”. Monsieur G. então me questionou o que era moderno para mim. “Da década de 60 até hoje”, falei. Ele disse que me recomendaria três autores franceses que não eram “comerciais” apenas, que “sobreviveram” devido à boa literatura.

Pesquisa no site da Fnac. Ohlala... quantos livros!! “Monsieur G, será que o senhor poderia ser mais específico e me recomendar um livro de cada autor?” Ele passou a mão pelos cabelos esvoaçantes, refletiu e escreveu no meu caderninho três nomes: Le chercheur d’or (Le Clézio), Vendredi ou les limbes du Pacifique (Michel Tournier) e Comme um roman (Daniel Pennac).

No último dia de aula, dia de receber o diploma, encontro Monsieur G. na sala em companhia de Monsieur H. “Professor, olha aqui o que achei”, falei toda empolgada. Monsieur F. olhou para mim, de um sorrisinho malicioso e comentou: “Ótimas escolhas! Três estilos completamente diferentes.” Monsieur G. olhou o colega e respondeu todo orgulhoso: “São minhas recomendações.”

O tempo passou, voltei ao Brasil e me pus a ler outras coisas, deixando de lado o que Monsieur G. me havia recomendado. A saudade dos amigos que fiz em Perpignan, a vontade de voltar à França, o amor pela literatura francesa aguçado pelos meus professores de francês no Brasil... tudo isso me fez procurar, no meu modesto acervo, as recomendações pelo Monsieur G..

Lembro que, na época, eu não tinha pensado nos motivos daquelas indicações. Hoje descobri dois: Le Clézio cursou o PhD na Universidade de Perpignan; Daniel Pennac faz uma verdadeira declaração de amor à leitura no livro Comme um roman.

E esse é o objetivo deste texto: versar (ou pelo menos tentar) sobre Comme um roman. Trata-se de um livro prazeroso de se ler que possui quatro capítulos: I – Naissance de l’alchimiste; II – Il faut lire (le dogme); III – Donner à lire; IV – Le qu’en lira-t-on (ou les droits imprescriptibles du lecteur). Os subcapítulos são curtos; alguns com apenas uma citação. A linguagem é acessível e tem-se a impressão de que o escritor dialoga a todo o momento com o leitor.

O livro é sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita; o amor pelos livros; os motivos que impedem alguém de gostar de ler. Tudo escrito de uma maneira leve, divertida, com uma pitada de ironia que somente aguça a vontade de devorar essa obra.

Daniel Pennac começa contando a história de um casal que tem um filho adolescente que não quer ler. Os pais se questionam sobre o que deu errado. Nem o casal nem o garoto tem nome, sendo assim, as personagens poderiam ser qualquer um: na França ou no Brasil. A segunda parte do livro se passa na escola e mostra o que faz um professor (o narrador) para fazer os alunos se interessarem pela leitura. Diz Pennac que “ler se aprenda na escola. Amar ler...”.

Mas, às vezes, é possível achar um professor que desperte o amor dos alunos pela leitura, “sua própria vivacidade, graças ao esforço que se transforma em prazer”. É preciso expor o amor pela leitura para que ela seja benquista pelos pupilos. “Uma leitura bem escolhida salva de tudo, inclusive de si mesmo. E, acima de tudo, lemos contra a morte”, escreve o autor.

Quando a leitura é feita de maneira prazerosa sentimos vontade de dividir o que lemos com os outros, com os entes queridos. Queremos compartilhar o que preferimos com “nossos preferidos”.

A leitura termina sendo um paradoxo, pois Pennac fala tanto do silêncio quanto da leitura como forma de comunicação. Quanto ao primeiro aspecto comenta Daniel Pennac: “O prazer do livro lido, nós o guardamos frequentemente no segredo por causa do nosso ciúme. Seja porque não vemos aí algo para discutir, seja porque, antes de puder dizer uma palavra, deve-se deixar o tempo fazer o silencioso trabalho da destilação. Esse silêncio garante a nossa intimidade. O livro é lido, mas nós ainda estamos lá. A única evocação a ele abre um refúgio no nosso refúgio. Ele nos preserva do Grande Exterior. Ele nos oferece um observatório plantado em paisagens contingentes. Nós lemos e ficamos calados. Nós ficamos calados porque nós tínhamos lido.” A leitura, entretanto, não é apenas o silêncio. Ela é uma estratégia de comunicação quando, num salão (ou numa sala de aula?! Qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência) não se tem o que dizer ao outro. “Se a leitura não é um ato de comunicação imediata, ela é, finalmente, objeto de comunhão. Mas uma comunhão distinta e selvagemente seletiva.”

O que impediria a todos de serem ávidos leitores, então? Às vezes, tem-se medo de ler porque há, embutido, um medo de não compreender. Pennac diz que esquecemos que um romance deve ser lido como um romance, o qual, primeiramente conta uma história. Para saciar nossa forma de ficção ficamos em frente à tela (não importa se é a telinha ou a telona)... passivos. Mas isso funciona apenas como algo que forra o estômago, sem saciar realmente a fome. “Nós nos sentimos tão sós quanto antes.” Enquanto lemos, ocorre o contrário; o autor dialoga conosco, conta a história somente para nós; há uma cumplicidade. O prazer do romance é essa descoberta de intimidade entre autor e leitor. Uma vez que nos reconciliamos com a leitura, que o texto perdeu o aspecto de “enigma paralisante”, o esforço que se faz para extrair o sentido dele se torna um prazer e “o prazer de compreender me mergulha quase na embriaguez da ardente solidão do esforço”.

Outro impedimento à leitura é o tempo para leitura, visto como “uma ameaça à eternidade”. Começamos a nos perguntar o que iremos sacrificar para dedicar algumas horas, alguns minutos à leitura. Pennac responde: “Quando nos perguntamos sobre o tempo para ler é porque o desejo de fazê-lo não existe. Pois, se olharmos isso de perto, ninguém jamais tem tempo de ler. A vida é um entrave perpétuo à leitura. O tempo de ler é sempre um tempo roubado (assim como o tempo de escrever ou, finalmente, o tempo de amar). Roubado de quê? Digamos que do dever de viver.” E ele continua: “O tempo de ler, como o tempo de amar, dilata o tempo de viver.” Ele diz que essa discussão não é para saber se há tempo para ler ou não, mas se me ofereço a alegria de ser um leitor.

Um assunto também abordado em Comme um roman é o relacionamento do livro (matéria em si) com o leitor. Como nos tornamos possessivos e ciumentos com nossos livros. Mas esse é o preço da intimidade. É por isso que, na maioria das vezes, temos dificuldade de devolver um livro que tomamos emprestado. “Não é exatamente um roubo (não, não, não somos ladrões, não...), digamos que é um deslizamento de propriedade, ou melhor, uma transferência de substância: se o que estava sob o olho do outro se torna meu enquanto meu olho o devora; e, se eu amei o que eu li, eu provo alguma dificuldade de ‘devolvê-lo’.”

O livro não deixa de ser um “produto da sociedade hiperconsumista. Visto por este ângulo, o livro não é mais nem menos que um objeto de consumação, e é também tão efêmero quanto esse objeto: imediatamente passa à pilha; se ele ‘não funciona’, morre mais rápido sem ter sido lido”.

Ao ler o livro fiquei temerosa em escrever sobre ele já que Pennac fala que nós que amamos ler e queremos propagar o amor à leitura, certas vezes, nos “preferimos” mais como hermeneutas. A palavra do livro dá lugar a nossa. Geralmente não deixamos a inteligência do livro falar pela nossa boca e a remetemos a nossa própria inteligência ao falar do texto. “Nós não somos os emissários do livro, mas os guardiões semeadores de um templo no qual expomos as maravilhas com as nossas palavras que fecham as portas. ´Tem que ler! Tem que ler!’”. É como se ao dizermos “tem que ler” acabássemos a descoberta pelo prazer da leitura. Nosso papel é apenas despertá-lo.

Porém, não poderia deixar de dividir com vocês o amor que sinto pela leitura e a delícia de ler esse livro. Não poderia, conforme pensamento do autor, deixar de falar de um dos meus (livros) preferidos para os meus preferidos (meus queridos leitores).

Cá estou, então, terminando este artigo, e, volto a pensar naquele senhor alto, de cabeleira loira e vasta, sorriso nos lábios. Lembro-me, por conseguinte, de uma passagem de Comme um roman: “Quando alguém que nos é caro nos dá um livro é ele quem procuramos, primeiramente, nas linhas, seus gostos, as razões que o impulsionaram a nos meter esse livro nas mãos, os sinais de fraternidade. Depois, o texto nos absorve e nós esquecemos aquilo onde mergulhamos; é o poder de uma obra.” Recordo-me de Monsieur G., pergunto-me se voltarei a vê-lo, penso em como gostaria de agradecê-lo por ter me apresentado a uma parcela – pequena, no entanto, que não deixa de ser importantíssima – da leitura francesa, por ter estimulado minha curiosidade por ela. Todas as vezes nas quais eu olhar ou folhear Comme um roman, lembrarei de Monsieur G., pois “os anos passam e acontece que a evocação do texto nos remete a uma lembrança do outro. Alguns títulos se transformam novamente em rostos”. E Comme um roman se transformara em um rosto alvo, emoldurado por longos e lisos cabelos loiros.


Para saber mais:




Livro: Comme un roman
Autor: Daniel Pennac
Editora: Folio France
ISBN: 8576290847
Número de páginas: 208





Livro: Como um romance
Autor: Daniel Pennac
Tradutor: Leny Werneck
Editora: Rocco
ISBN: 8525417971
Número de páginas: 152

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Joy Division, New Order e "the New Order"

Você, leitor, já pensou que a música é um reflexo da sociedade e da cultura de um determinado local, de um determinada época? Acredito que sim. E, o quê pensar ao escutar uma música do Joy Division? E do New Order? Inúmeras poderiam ser as teorias sobre o grupo de Manchester, liderado por Ian Curtis, que se suicidou aos 24 anos; e sobre o grupo composto pelos remanescentes do Joy Division, o New Order.

A editora Landy publicou o livro Joy Division/New Order: Nada é mera coincidência escrito por Helena Uehara. O livro mostra as diversas interpretações, as variadas formas de “sentir” e de “ver” dos fãs dos dois grupos musicais. Ela também analisa as letras das músicas, comparando-as com os contextos políticos, sociais e culturais vigentes na época na qual foram escritas. Ao dizer que “nada é mera coincidência”, a autora tenta mostrar que os movimentos culturais – e também os de contraculturas, vistos um pouco “à margem” da sociedade – são um reflexo do que ocorre no mundo em determinado período.

“Se Warsaw era uma banda punk, Joy Divison é pós-punk. New Order é eletropop. Como uma banda, com as mesmas raízes, pode mudar tanto? Partir para propostas aparentemente tão distantes e díspares? Nada é mera coincidência. Cada uma das bandas é reflexo do seu tempo, do contexto histórico em que se insere. Os acontecimentos históricos de final da década de 70 e início de 80 retratam um período de profundas mudanças. O Joy Division e, posteriormente, o New Order são antenas sensíveis que captam essas mudanças, que vivem as suas conseqüências sociais e econômicas. Ian Curtis é a voz que canta a angústia das incertezas da transição de uma era à outra. O fim da era Pós-Industrial e o início da era da Globalização e a da Informação, da Internet.”

Conforme escreveu Helena Uehara, a Inglaterra passava por dificuldades no final da década de 70. “Tempos difíceis na terra que um dia foi berço da Revolução Industrial. Decadência, desesperança, desemprego. Sentimentos de revolta, raiva e ódio contra o sistema vigente no final da década de 70:conservador e capitalista. Não havia oportunidades reais ou um futuro promissor para os jovens, sobretudo da classe operária.”

Em 1978, a rainha Elizabeth celebrava os 25 anos de seu reinado. Mas o Reino Unido, na verdade, começava a ser comandado pela “Dama de Ferro” – Margareth Tatcher. “Não é por acaso que tanto Iggy Pop como Ian Curtis e os demais integrantes do Joy Division são produtos originários de duas cidades industriais do final do século XX: Ann Arbor/ Detroit, nos Estados Unidos e Mcclesfield, cidade vizinha a Manchester, na Inglaterra. Representantes legítimos da escória do mundo capitalista.”

Qual seria a mensagem, a filosofia do movimento punk? A escritora diz que “uma das mensagens subliminares punks era: não se deixem guiar nem julguem os outros pelas aparências. Abaixo o consumismo e a ditadura da moda. Usem as roupas até rasgarem, furarem. Reinventem, reciclem. O lixo não é lixo. Nós não somos lixos!”

Todavia, ela aponta para uma controvérsia, para a mudança provocada pelo movimento capitalista e, por conseguinte, pelo consumismo exacerbado, tão em voga na sociedade atual. “No entanto, décadas após o surgimento do movimento punk, o sistema absorveu tudo que fosse interessante, vendável e lucrativo. Contraditória e ironicamente, o que mais existe hoje são bandas punk de butique, modelos de alta-costura em estilo sadomaso com pitada punk, jeans tratados e rasgados artificialmente que custam uma fortuna. E as pessoas, sobretudo as de alto poder aquisitivo, vestem-se assim porque está na moda, porque é legal ser diferente, chamar atenção aparentando rebeldia. Alienadas e distantes...de tudo o que foi um dia o punk.”

As transformações ocorreram... quanto ao Joy Division, a principal foi a morte de Ian Curtis. Porém, a morte, que deu um término ao Joy Division, também deu surgimento... ao New Order. Segundo o que consta no livro, os integrantes remanescentes do Joy Division – e formadores do New Order – evitam falar no assunto e dar entrevistas. Por essa razão, há uma pergunta ainda sem resposta... (a primeira de várias) qual seria a origem do nome da banda? “Há muitas interpretações em relação ao significado do nome New Order: 1- seria uma referência à 'nova ordem mundial' que o Hitler pretendia implantar durante o nazismo. Esta versão é a mais difundida pela imprensa, pelas revistas especializadas e constantemente reproduzida na internet; 2- o termo 'nova ordem mundial' estaria dentro do contexto da globalização dos anos 80 que trouxe um reordenação do mundo capitalista; 3- os integrantes queriam simplesmente desvincular-se do passado (Joy Division) e começar tudo de novo (New Order), baseado numa nova proposta e filosofia musical, estabelecendo uma nova ordem para o grupo; 4- homenagem ou referência ao conjunto norte-americano New Order formado por ex-integrantes do Stooges, do Iggy Pop; 5- influência da filosofia punk, fundamentada no anarquismo, que prega radical desorganização e destruição de estilos e procedimentos tradicionais para posterior reorganização ou construção do novo, para (re)estabelecimento de uma nova ordem.”

No primeiro trabalho, a banda teve problemas, porém, em 1983, veio o sucesso com o single Blue Monday, cuja vendagem foi de três milhões de cópias. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o grupo disse que havia retirado a batida de uma música de Donna Summer e os samples de Radioactivity, do Kraftwerk. O conjunto alemão tinha forte influência sobre a banda. Não é por acaso que, no álbum Power Corruption and Lies, existe uma versão da melodia do Kraftwerk: Your Silent Face, também chamada de KW1, nítida alusão aos músicos alemães. Quem mostrou o Kraftwerk – mais especificamente o trabalho Trans Europe: Express - aos integrantes do New Order foi Ian Curtis.

Aos poucos, o New Order foi se mostrando um influenciador dos ouvintes e dos gostos musicais de milhares de pessoas. O grupo foi se tornando um marco não do cenário indie, punk (do qual Joy Division sempre fará parte), mas do âmbito pop, eletrônico, como se a música fosse um espelho dessa Matrix onde vivemos, desse mundo cibernético. “O foco do New Order não são mais as músicas que emergem do inconsciente, que ‘tocam a alma’, como nos tempos do Joy Division, mas sim aquelas que falam de coisas cotidianas e que ‘tocam o corpo’ nas pistas de dança no mundo inteiro”, escreve Helena Uehara.

Para saber mais:




Livro: Joy Division/New Order: Nada é mera coincidência
Autor: Helena Uehara
Coleção Novos Caminhos
Editora: Landy
ISBN: 8576290847
Número de páginas: 144





Filme: Control
País: Inglaterra
Gênero: Drama
Direção: Anton Corbjn
Elenco: Sam Riley, Samantha Morton,
Alexandra Maria Lara,
Joe Anderson, Toby Kebbell
Roteiro: Matt Greenhalgh
Duração: 122 minutos
Site oficial: http://www.controlthemovie.com/





quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Federico Aubele: um "achado" na música latina

Federico Aubele foi uma surpresa nas minhas “cutucadas” pela net. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir um músico da estirpe deste argentino. Aos 35 anos, esse portenho que estudou música na França (emigrou para Berlim em 2001... isso mesmo... o ano da tal crise na Argentina!), já lançou dois discos. O primeiro chama-se Gran Hotel Buenos Aires (2003), o segundo é intitulado Panamericana (2007).

Aubele mescla jazz, tango, bolero, a guitarra flamenca, música eletrônica... tudo vira uma mistura que dá um excelente resultado que pode ser conferida nos trabalhos dele. No primeiro trabalho, a presença dos beats eletrônicos é forte, algo que poderia ser comparado ao conterrâneo Bajofondo e também com grande influência da dupla Thievery Comporation (não por acaso... foram os dois DJs estadunidenses que produziram o primeiro CD de Aubele) e do mestre Astor Piazzolla. Os vocais sensuais ficam por conta de sua amiga Sumaia.

No segundo trabalho, mais experiente, o músico apresenta uma identidade mais firme. Pode-se escutar mais a voz de Aubele – que até então preferia ficar apenas no violão – assim como as canções estão mais “latinas”. O produto final é impecável... Sensualidade, suavidade... Algo que pode fazer o ouvinte fechar os olhos e sonhar que está em um café, na capital portenha, durante a primavera. Em entrevista à revista Rolling Stone da Argentina (20/10/2008), o músico disse que quando fez Gran Hotel Buenos Aires sentia falta de Buenos Aires sem se dar conta, mas que com Panamericana a saudade era consciente. “A nostalgia te faz ver coisas de outro ângulo”, comentou. Comentário mais “tanguero” não há!

Federico Aubele é uma prova de que conservar a cultura nem sempre é ir contra o mercado. “Em determinados contextos, se você conserva a sua cultura, se torna mais interessante. Quando eu gravava as demos, pensava em incluir algum tema em inglês, porém os produtores me disseram que não, que temas em inglês havia de sobra. O mais exótico era que fosse tudo em espanhol”, comentou à Rolling Stone. Os fãs da boa música agradecem! E para os brasileiros que escutam as músicas de Aubele, saibam que há um “dedinho” brazuca no meio. Uma das cantoras que o argentino escutava enquanto estava em Berlim era Bebel Gilberto.

Myspace de Federico Aubele.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

2009: l'Année de la France au Brésil!


2009 é o ano da França no Brasil. A celebração se deve ao sucesso que o Ano do Brasil na França (Brésil, Brésils) obteve. A partir de então, os dois presentes decidiram estreitar os laços em todos os domínios. Por isso, vários eventos culturais, educacionais serão realizados tanto no Brasil quanto na França. Quem quiser conferir a programação clique aqui. Fique atento para o que acontecerá na sua cidade!

2009 c'est l'année de la France au Brésil. La célebration est une conséquence du succès de l'Année du Brésil en France (Brésil, Brésils). Alors, les deux présidents ont décidé d'aprocher les deux pays dans tous les domaines. C'est pour cela que, plusieurs événements culturels seront réalisés au Brésil et aussi en France. Qui veut voir la programation cliquez ici. Attention à ce qui aura lieu dans votre ville!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mi Buenos Aires querido

Buenos Aires… cuando se escucha el nombre de esa ciudad es como si algo fuera encantado (¿por qué no decir que aparezcan sentimientos de admiración y curiosidad también?). Buenos Aires es una mezcla de sentimientos. Ella te despierta el amor y el odio; alegría y tristeza. Así es Buenos Aires: una contradicción. Y eso la hace un lugar único.

Ella es aquella mujer seductora de quién te enamorás; ella te seduce y después te abandona. Justamente como las mujeres tangueras. Pero ella no es solamente la ciudad que fue el panorama de los tangos y de los cuentos de Borges. Buenos Aires es tambien la ciudad de los cafés desparramados por casi todas las esquinas; es la ciudad de las señoras que pasean con sus perros y de la nueva generación… un poco “emo” y “flogger”.

Buenos Aires es la elegante ciudad de los afortunados que viven en Palermo (¡y cuántos Palermos! Hay Palermo Soho, Hollywood, Viejo), en Recoleta u en Puerto Madero. También es la ciudad del barrio “La Boca”, fundado por los inmigrantes y que hoy es un punto turístico obligatorio por contener el famoso “Caminito” y por ser donde está ubicado el estadio del equipo de fútbol Boca Juniors. Ella es aún la ciudad de los “conventillos” que aparecieron en la década de 90 cuando los inmigrantes (la mayoría compuesta por peruanos y bolivianos) fueron a Argentina en busca de una (supuesta) mejor calidad de vida.

Pero lo que tal vez Buenos Aires tenga de más encantador (y al mismo tiempo aterrador) son los argentinos. Ellos tanto pueden ser muy simpáticos, las personas más gentiles del mundo como, todavía, los más estupidos (¡boludos!). En el transito, ellos se transforman. Entonces, es en ese momento, que escuchás (¡y aprendés!) muchas “malas palabras”.

Mucho cuidado cuando vaya a cruzar la calle. Si ellos tuvieran la oportunidad, van a atropellarte. Pese que la nueva ley de transito esté en vigor desde 1 de enero de 2009. Ellos no respetan los peatones. Ellos son tan individualistas al punto de no importales si vos estás en el medio de la calle mientras el semáforo se volvió verde.

Pero, si tenés dudas, si preguntás si debés hablar con un argentino… ¡hacelo! La peor cosa que puede ocurrirte es que ellos no sean muy cordiales, mas, con el tiempo, vas a acostumbrarte.

Tal vez (tal vez no, seguramente) Buenos Aires sea eso calderón de diferencias a causa de la inmigración que empezó en el final del siglo XIX. Italianos, rusos, alemanes, judíos, españoles… todos cruzaron el océano y vinieron para América del Sur buscando una vida mejor. Y esa mezcla de cultura, de orígenes resuelta en rasgos y en el acento de los argentinos.

En Buenos Aires, hacia donde vinieron los inmigrantes con el objetivo de poblar la desplobada ciudad del siglo XIX. Podemos ver morochos de ojos oscuros o rubios de ojos muy claros. Pero, cuando habla, percibimos al acento porteño similar al de los italianos, más específicamente al acento de los napolitanos.

Y es de esa mezcla de italiano con español que nació el “lunfardo”, algo como el “verlan” en Francia. El lunfardo era el lenguaje de los “astutos” que vivían en los cabarets, de los que escribían y bailaban tango. “El mayor producto de exportación del país” – el tango – se volvió famoso después de haber sido aceptado en Francia. Hoy las cosas cambiaron. El tango ahora es electrónico. Las personas no lo escuchan tanto. Ahora los hits son la “cumbia” y el “reggaeton”.

Buenos Aires ya no más es aquella ciudad de clase media donde se vivía tranquilamente. En ciertos barrios es preciso tener cuidado al caminar por la noche. Las personas están más cautelosas para no ser robadas; el tránsito es caotico y hay mierda de los perritos por la acera. Ahora los argentinos tienen que compartir el espacio con las “villas”.

Por más que extrañes tu país, cuando dejás Buenos Aires vas a sentir el corazon apretado. Llorá, llorá por la Argentina, pues ella lo merece. Ella no puede llorar por vos, pero vos podés y debés llorar por ella. Si ella hablara, ella te diría: “¡Llores por mi, la Argentina!”

Pode chorar por Buenos Aires...

Buenos Aires... ao ouvir o nome dessa cidade parece que uma aura de encantamento (e por que não dizer de curiosidade e de admiração também?) surge. Buenos Aires é uma mescla de sentimentos. Ela te desperta amor e ódio, alegria e tristeza. Buenos Aires é assim: um contraste. E é isso que a torna um lugar impar.

Ela é aquela mulher sedutora que te apaixona, te seduz e depois te abandona. Justamente como as mulheres “tangueras”. Ela não é apenas a cidade que serviu de cenário para os diversos tangos e para os contos de Borges. Buenos Aires também é a cidade dos cafés espalhados por quase todas as esquinas, das senhoras que passeiam (ah... como eles adoram os “perritos”!) e da nova geração um tanto emo e flogger.

Buenos Aires é a cidade elegante dos ricos que vivem em Palermo (e quantos Palermos! Tem Palermo Soho, Hollywood, Viejo...), na Recoleta e em Puerto Madero. Também é aquela cidade do bairro do Boca, fundado por imigrantes e que hoje é ponto turístico obrigatório por ter ruas como “Caminito” e ser onde está o Boca Juniors. Ela é ainda a cidade dos “conventillos” (para nós, algo como “cortiços”) que surgiram na década de 90 com a vinda de imigrantes peruanos e bolivianos que partiram em busca de emprego e fugindo da fome e da pobreza.

Mas o que talvez Buenos Aires tenha de mais encantador (e ao mesmo tempo assustador) seja os argentinos. Eles tanto podem ser as pessoas mais gentis do mundo, como serem as mais estúpidas. E como são passionais! No trânsito, eles se transformam. É aí que você se escuta (e aprende!) uma série de palavrões. Cuidado ao atravessar as ruas. Se eles tiverem uma oportunidade, atropelam você! (brincadeira!) Apesar da nova lei de trânsito, a qual entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano e que, como no Brasil, tira pontos dos motoristas, os argentinos não respeitam os pedestres. Eles são tão individualistas ao ponto de não dar a mínima para o caso de o sinal ter aberto “mientras” você estava atravessando a rua. Na dúvida, fale com um argentino. O máximo que pode te acontecer é levar um fora, mas, como tempo, você se acostuma. Além disso, eles são muitíssimo prestativos.

Talvez (talvez não, com certeza) Buenos Aires seja esse fervor, esse caldeirão de diferenças devido à imigração que iniciou no final do século XIX. Italianos, russos, alemães, judeus, espanhóis... todos atravessavam o oceano e vinham para a América do Sul em busca de uma vida melhor. E essa mistura de culturas, de origens se reflete no rosto e no sotaque dos argentinos.

Em Buenos Aires, para onde foram os imigrantes com o intuito de povoar a até então despovoada cidade, pode-se encontrar morenos de olhos escuros e loiríssimos de olhos azuis. Ao falar, o portenho deixa escapar, naturalmente, um sotaque similar ao do italiano; para ser mais específica, ao do napolitano. Pesquisas já comprovaram que o sotaque portenho e o napolitano são idênticos, ou seja, muitos argentinos são “quase” italianos falando espanhol.

E é dessa mistura do italiano com o espanhol que nasceu o “lunfardo”, algo como o “verlan” francês. O lunfardo era a “língua” falada pelos malandros que viviam nos caberets, escreviam e dançavam tangos. O maior produto de exportação do país – o tango – ficou famoso depois de ter sido aceito na França e é utilizado como referência cultural na Argentina.

Mas hoje as coisas mudaram. O tango agora é eletrônico. As pessoas não o escutam tanto. Agora os hits são a “cumbia” (ritmo parecido com a salsa que se assemelha um pouco ao “brega” no Brasil) e o reggaeton.

Buenos Aires já não é aquela cidade e uma classe média que vivia bem e tranqüila. Em certos bairros é preciso tomar muito cuidado ao andar à noite. As pessoas são sempre cautelosas para não serem roubadas, o trânsito é caótico e o côco dos “perritos” estão espalhados pelas calçadas. Agora eles têm que conviver com as “villas” (as “favelas” argentinas) e com as pessoas que não tiveram oportunidade de ter uma vida melhor e utilizam as vias ilegais para obterem algo.

Por mais que você sinta falta do Brasil, ao deixar Buenos Aires você sentirá um aperto no coração. Chore, chore pela Argentina, pois ela merece. Ela não pode chorar por você, já você pode e deve chorar por ela!

sábado, 24 de janeiro de 2009

James Blunt: uma grande surpresa

Confesso que só conhecia algumas músicas de James Blunt por causa da novela e do Eurochannel. Quando eu fui a Europa, em 2005, todos os canais de música passavam o clipe de "You re beautiful" eu pensava: "Nossa...! Que cantor tao lindo...!" Mas nada mais do que isso. Achava a voz bonitinha e ponto...

Mas depois de assistir a performance de James Blunt em Buenos Aires, agora eu mudaria a frase a intonacao da frase para: "Nossa...! Que cantor! E ainda é tao lindo!" Ele é um showman, sabe conduzir o público, nao deixa a platéia parada, prende a atencao daqueles que estao presentes. E a voz? Muito melhor do que pelo CD. Eu nunca tinha visto um cantor conseguir cantar melhor ao vivo do que a gravacao do CD. Fiquei chocada... mas choque de surpresa. E agora, me tornei fa de James Blunt. Simplesmente incrível! E a pontualidade? Britanica!

P.S. - Desculpem a falta de cedilhas e til, mas nao consigo achá-las nos teclados argentinos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Die Helden" do Pop-rock alemão

Pop-rock feito com bom humor, um leve tom sarcástico, algumas letras um pouco melosas, outras um tanto debochadas... O nome da banda? Com todas essas descrições, provavelmente, vocês tenham um palpite sobre a nacionalidade dela? Quem pensou “alemã”, acertou! “Wir sind Helden” (dá para perceber o tom irônico deles até pelo nome, não?) é um quarteto formado por: Judith Holofernes, Pola Roy, Jean-Michel Tourette e Mark Travassol.

A banda é bastante engajada com a arte; não por acaso. A cantora – Judith Holofernes – estudou na Universidade de Arte de Berlim, inclusive a assinatura da vocalista faz alusão a um tema bem corriqueiro da História da Arte. Holofernes era um dos generais de Nabucodonosor II. Foi Judite, cuja história está no livro homônimo no Antigo Testamento, que o decapitou. A Judith de Wir sind Helden, na verdade, chama-se Judith Holfelder von den Tann.

Wir sind Helden também está muito ligada à Escola de Hamburgo, a qual surgiu como uma resposta ao rock cantado em inglês na década de 80. Esse movimento voltou a estar em voga ao reunir grupos alemães classificados como “indie” e que se formaram na década de 90, tendo-se como exemplos Blumfeld, Tomten e Die Sterne.

O primeiro disco – Die Reklamation (2003)– tem como principais sucessos Die Zeit heilt alle Wunder, Denkmal e Aurélie. Nesta última canção mencionada, o grupo conta a história de uma francesa chamada Aurélie que vai a Alemanha em busca de um grande amor, porém acredita que ninguém gosta dela, pois não entende “os alemães flertam sutilmente”.

Já o segundo trabalho – Von hier an Blind (2005) – tem músicas que lembra um pouco o feito na década de 60. O CD chegou a alcançar o primeiro lugar no Top 100 alemão. Um hit que não sairá da sua cabeça, caso resolva escutar os garotos, é Nur ein Wort. As músicas também fazem uma leve crítica ao show business. Von hier na Blind é o nome de uma das canções que foi gravada também em japonês (Sa itte miyou).

O álbum mais recente se chama Soundso e foi lançado em 2007. Nesse trabalho, a banda possui um ritmo mais frenético, músicas mais aceleradas. Destaque para Soundso (com uma versão francesa: T’es comme ça), Für nichts garantieren, Soundso e Kaputt.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ich liebe dieses Leben...

A vida tem sempre altos e baixos, mas quem não a ama? Pode ser clichê, porém quando uma vida se inicia todos comemoram: os pais, os amigos, toda a família se reúne; quando ela termina, novamente todos se juntam, só que dessa vez é para chorar por quem "partiu".

Posso estar com mania de querer compreender tudo, de ver filosofia nos mínimos detalhes... Mas acho esse clipe da banda alemã Juli filosofia pura. Até os que não entendem nem um "ja" podem observá-lo e ver se não é isso mesmo.

A cantora se joga do prédio, todavia, alguns minutos depois, já caída, com as pessoas ao redor dela, arrepende-se e volta no tempo. Ao fazer esse retorno, ela começa a ver as pequenas coisas da vida que são as que dão sentido ao verbo viver... As crianças, os namorados, um casal de idosos dançando, a família reunida.

No entanto, as frase que me chamas mais atenção são: "Was soll das sein? Wo soll ich hin?
Wo sind meine großen Helden hin?" (O que isso deve ser? Para onde eu devo ir? Para onde foram meus grandes heróis?) É aí que eu vejo que talvez não seja mais jovem, pois careço de grandes heróis (digo, grandes exemplos na política, pensadores que me dessem uma vontade enorme de estudar) e, como dizia Anatole France, "O que a juventude tem de melhor é a capacidade de admirar sem compreender". Já não consigo admirar o que não compreendo. E salve a filosofia!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

L'Union fait la force!

1789. Ano da Revolução Francesa, correto? Sim!! Mas também é o ano que dá início a uma revolução a qual quase ninguém dá importância, a de um país que é esquecido pela maioria da população mundial: o Haiti. A Revolução Francesa, com o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, alimentou o espírito revolucionário em diversos países, inclusive no Brasil. No entanto, uma pequena ilha caribenha teve mais sucesso do que outras colônias que almejavam a independência.

A história do Haiti é repleta de revoltas e de luta pela liberdade. Foi lá que Cristóvão Colombo desembarcou em 1492 ao descobrir a América. A Ilha foi batizada como Hispaniola. Cerca de 100 anos depois, no final do século XVI, a população indígena – aruaques – já estava quase que completamente dizimada. E, foi nessa mesma época, que a Espanha cedeu parte do território da ilha à França.

O objetivo francês era ter colônias de povoamento na América visando um bom posicionamento militar, o qual pudesse favorecer um ataque às colônias da metrópole mais rica da época: a Espanha.

Aos poucos, as Antilhas foram se apresentando como uma grande fonte de renda. “As condições climáticas das Antilhas permitiam a produção de um certo número de artigos – como o algodão, o anil, o café e principalmente o fumo – com promissoras perspectivas nos mercados da Europa”, diz Celso Furtado no livro Formação Econômica do Brasil.

Com a expulsão dos holandeses do Brasil, as Antilhas se mostraram um local apropriado para o cultivo da cana-de-açúcar. Então, o perfil do morador das Antilhas foi mudando. Precisava-se de mão-de-obra escrava. As colônias de povoamento com objetivos militares deram lugar a colônias de exploração, sendo o principal intuito o econômico.

Em 1789, o Haiti era a colônia francesa mais próspera. Nessa época, chamava-se Saint Domingue e era o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Saint Domingue era responsável por 40% do açúcar mundial, 50% do café consumido no continente europeu, além de 35% do comércio internacional da França.

Nessa época, a França passava por transformações drásticas. O mundo olhava para os franceses e tentava imitá-los. Não foi diferente com as colônias francesas. Após a Revolução Francesa, tão liberalista e clamando por direitos, Saint Domingue espera ter sua independência proclamada, o que não aconteceu. A decepção dos mulatos e dos negros alforriados ensejou uma revolução em 1791, cujo principal líder foi Toussaint L’Overture. Desde então, até 1803, Saint Domingue foi invadida pela Espanha, Grã-Bretanha e até por Napoleão, o qual queria restabelecer o regime escravista. Mas nem mesmo ele foi capaz de reconquistar a ilha; o fracasso foi tão imenso que ele perdeu 40 mil dos seus melhores soldados.

Em 1801, Toussaint conquista Santo Domingo (colônia espanhola) e unifica o país. Havia uma grande baixa populacional: cerca de 75% dos brancos e 40% dos mulatos tinham sido mortos ou haviam emigrado.

Em 1º de janeiro de 1804, Jacques Dessalines proclama a independência de Saint Domingue e se intitula imperador. Foi a partir daí que o país passou a se chamar Ayti, que, para os ameríndios da tribo Taïnos, significa “a terra das altas montanhas”.

Com a saída dos europeus - e com eles a tecnologia – o Haiti passou a viver de uma economia de subsistência e a empobrecer. Da metade do século XIX até o início do século XX, 14 dos 20 governantes haitianos foram mortos ou depostos.

Os Estados Unidos, com a desculpa de que estavam protegendo interesses estadunidenses no local, ocupou o país de 1915 a 1934. alguns anos depois, em 1957, François Devalier (o Papa Doc) instaurou a ditadura, perseguiu a Igreja Católica e exterminou todos aqueles que mostrassem contra dele. Em 1971, ele faleceu e quem o substituiu foi o filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc. Mas Jean-Claude não agüentou a pressão popular, decretou estado de sítio, fugiu para a França e deixou em seu lugar o general Henri Namphy. Depois de ter sido governada por mais dois generais realizaram-se eleições presidenciais em 1990, da qual o vencedor foi Jean-Bertrand Aristide.

Só que Aristide foi deposto, apenas um ano depois, por um golpe liderado pelo General Raul Cedras. O grande número de imigrantes haitianos nos Estados Unidos, fez com que os norte-americanos pressionassem o governo haitiano para a volta de Aristide ao poder. Em setembro de 1994, Aristide voltou ao poder, no entanto, o país estava mergulhado no caos.

Acusou-se Aristide de fraudar as eleições parlamentares e presidenciais, em 2000. Três anos depois, a oposição pedia a renúncia dele. A falta de acordo entre o governo e a oposição alimentou diversos conflitos civis mergulhando o Haiti em uma catástrofe sem tamanho. Aristide se exilou na África do Sul e o presidente da Suprema Corte – Bonifácio Alexandre – assumiu o governo interinamente e pediu a intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Conselho de Segurança, então, aprovou o envio de tropas ao Haiti, a chamada Força Multinacional Interina (MIF). Em 2004, também foi criada a Minustah – Mission dês Nations Unies pour la stabilisation en Haiti – cujo comandante designado foi o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira (do Exército brasileiro).

A partir de então, o Exército do Brasil passou a enviar tropas para o Haiti com o objetivo de contribuir para a segurança no país. O contingente é revezado a cada seis meses e o treinamento, feito pelo Centro de Instrução de Operações de Paz (Ciop Paz) é meticuloso para preparar centenas de soldados para a missão de auxiliar na reconstrução haitiana. São realizadas diversas ações, entre as quais as sociais. A permanência da tropa brasileira é aprovada por 78% da população do Haiti.

Outras nações - como a Argentina, o Sri Lanka e a Jordânia - fazem parte da Minustah colocando em prática a divisa haitina: L’Union fait la force (a União faz a força).

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Transgredir para não transgredir

Gestos, gritos, confrontos, correria, pulos... você pensa em que ao ler esses substantivos? Uma briga, um assalto, talvez? Quem sabe até uma guerra? Não, não... esqueça... leia novamente: “Gestos, gritos, confrontos, correria, pulos...”. Pensou em algo mais? Se você disse festa, acertou!

Não se espante, mas, segundo o sociólogo francês Roger Caillois, tanto a guerra quanto a festa tem as mesmas características: transgressão de regras, extinção do proibido, liberação de uma energia destrutiva. Só que, essa energia tem como finalidade reforçar as estruturas sociais existentes. Como?

A festa é uma válvula de escape. Em festas como o Carnaval, por exemplo, as pessoas saem do cotidiano e se permitem transcender o que são, fazer o que quiserem sem pensar muito nas conseqüências; afinal, na festa (quase) tudo é permitido. A contradição está no fato de que toda essa impulsividade em eventos festivos ocorre porque se tem a certeza de que quando a festa acabar, voltar-se-á para a mesma rotina, a qual pode ser monótona, porém é segura; ao contrário da festa cujo império é o da imprevisibilidade.

Pode-se perceber também que, as festas são mais intensas nos países onde há maior número de leis, uma forte regulamentação, como no caso do Brasil, onde só entre 1988 e 2006 foram criadas 3.709 leis apenas no âmbito federal. Aproveita-se a festa como se ela fosse a última da vida, como se “aquele dia” fosse o último na Terra. Então, burlar o proibido, transgredir as regras torna-se excitante.

De acordo com Roger Caillois, no livro L’Homme et le Sacré, “a vida regular, ocupada com os trabalhos cotidianos, pacifica, enquadrada em um sistema de interdições, cheio de precauções, cuja máxima é quieta non movere mantém a ordem do mundo, opondo-se à efervescência da festa. Esta, se considerarmos os aspectos extrínsecos, apresenta características idênticas em qualquer nível de civilização. Ela implica um grande massa de pessoas agitadas e barulhentas. Esse comportamento massivo favorece, eminentemente, o nascimento e a exaltação que se transforma em gritos e gestos e que incita a abandonar-se sem controle aos impulsos mais impensados”.

A festa é antagônica, ela existe para que a paz e a ordem continuem, para que as pessoas tenham momentos de “insanidade”, porém, ela poderia ser considerada como algo intrínseco e necessário à sociedade. É uma liberdade, porém sem deixar de ser controlada. Um abandonar-se para voltar aos enquadramentos sociais assim que a festa acabar. Algo como se fosse um transe, um lapso temporal no qual se pode escolher uma personagem que se quer representar.

“Compreende-se que a festa é um paradoxo entre a vida social e que rompe violentamente os problemas sobre a existência cotidiana. Ela aparece ao individuo como um outro mundo onde ele se mantém e se transforma por forças que o ultrapassam. Sua atividade rotineira, de colheita, caça, pesca ou de criação não fazem que ocupar seu tempo e atender as suas necessidades imediatas. Ele, com certeza, as faz com atenção, paciência e habilidade, porém, mais profundamente, ele vive uma lembrança de uma festa e na espera de uma outra, pois a festa é para ele, para a sua memória e para seu desejo, o tempo das emoções intensas e da metamorfose do seu ser”, analisa Roger Caillois.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Dicas de viagem: Sul da França

A região de Languedoc-Roussillon fica ao Sul da França, já na divisa com a Espanha. O local ganha ares especiais e recebe bastante turistas durante o verão europeu. E, se você acha que já está acostumado cm o calor brasileiro, poderá se surpreender ao ver os termômetros marcando mais de 35ºC. Apesar do calor, o clima, na maior parte das cidades, é seco; por isso, não esqueça do hidratante ou sentirá na pele os efeitos do clima mediterrâneo!

Uma das grandes surpresas (e, na minha opinião, uma das cidades mais belas da França) é Nîmes, localizada no departamento de Gard. É lá que se pode visitar Les Arènes, o “coliseu” francês. Trata-se do anfiteatro, construído durante o Império Romano por volta do século primeiro , mais bem conservado do mundo! Para quem gosta de touradas, é também lá que acontecem as “corridas”, como chamam os franceses. Os grandes shows de Nîmes, como o de Radiohead em junho, ocorrem nesse monumento colossal. Em frente às Arenas há uma estatua em homenagem a um famoso toureiro – Nino II - que se suicidou depois de ter ficado paralítico por conta de um acidente numa tourada.

Mas a riqueza cultural nimosiana não pára. Como os romanos descobriram que havia água no local, estabeleceram-se na cidade e construíram aquedutos, além de deixarem sua marca em toda a arquitetura. A Maison Carrée é uma delas. O lugar era utilizado pelos romanos para se dirigirem aos deuses e fazer-lhes perguntas. O visitante pode assistir, dentro da Maison Carrée um filme em 3D explicando o significado do lugar e um pouco da história de Nîmes, sempre associada à água e aos gladiadores.

A Tour Magne é outro ponto turístico que merece ser visitado. O templo de Diana não está totalmente intacto, porém a vista é magnífica, sem falar no jardim ser uma ótima opção para piqueniques no verão. Falando em jardim... foi em Nîmes, e não em Paris, que se fundou o primeiro jardim público da França. E, quebrando-se um mito, foi em Nîmes que o jeans (o tecido) foi criado.

Perto de Nîmes encontra-se a pont du Gard, aqueduto feito pelos romanos para aproveitar a água. Ele é imenso e repleto de turistas de todas as nacionalidades que lá vão para fazer piqueniques, bronzear-se e banhar-se nos rios. Tanto na rive gauche quanto na rive droite há opções de lazer, exposições, museus, restaurantes, entre outras formas de entretenimento.

Languedoc-Roussillon tem variedades para todos os gostos. Quem quiser ir para uma feirinha e encontrar tudo – desde roupa egípcia até vinhos – é só ir à pequena Uzès, conhecida por ter sido residência dos nobres franceses e onde ainda vivem pessoas de classe alta.

Mas vamos falar em praias, um assunto que interessa grande parte dos brasileiros e 100% dos europeus durante o verão. Saintes-Maries-de-la Mer é uma comuna do departamento de Provence-Alpes-Côte d’Azur, que fica no departamento de Bouches-du-Rhône. Nessa comuna há uma “miniatura” de praia e diversas embarcações que fazem passeios com turistas.

Mais ao sul, localiza-se Collioure, um vilarejo de Languedoc Roussillon do departamento dos Pyrinées Orientales (Pirineus orientais). A praia é cheia de pedras, o que fornece ao viajante uma bela imagem do pôr-do-sol. Depois de banhar-se no Mar Mediterrâneo, o viajante pode optar por um jantar em um dos infinitos restaurantes do local. Tem cozinha italiana, creperia... oh lala!! Ah... e os vinhos! Os produzidos em Collioure são considerados um dos melhores da região.

Vamos mais ao sul? Então, tá... chegaremaos à Perpignan ou Perpinyà, em catalão. Assim como Collioure, Perpignan faz parte da Catalunha, sendo a maior cidade da conhecida “Catalunha do Norte” (a que fica no território francês).

Mesmo sendo de médio porte, Perpignan é uma cidade cheia de universitários e de sofisticação. Há lugares nos quais é um pouco perigoso andar, por se tratar de uma região fronteiriça, da maior cidade antes da Espanha, mas nada que aterrorize. Em junho a cidade é cenário do Les Estivales, festival no qual se apresentam grandes bandas internacionais e locais, sem contar nas inúmeras apresentações de teatro. E, quem gosta de música, não pode perder as Jeudi de Perpignan, que consiste em diversos espetáculos musicais, os quais começam a partir das 17h30.

Os ávidos por compras também vão achar Perpignan um paraíso, pois existem inúmeras lojas nas cidades, desde as mais populares às mais sofisticadas. E os amantes de história não poderão deixar de visitar o castelo dos reis de Maiorca. Já os aventureiros podem escalar o monte Canigou, sagrado para a cultura catalã.

Uma “furada” é a gare de Perpignan. Salvador Dali disse que ela era o centro do mundo, mas quem vai lá deve pensar geralmente a mesma coisa: que ele estava fora de si quando disse isso! Quem for sair de Paris em direção à Perpignan de trem tem que se ligar que são cinco horas de viagem, já que, apesar do trem ser chamado de TGV, a velocidade do mesmo ainda é a de um trem normal. No entanto, uma nova estação vai ser construída para se possa instalar linhas especiais para o TGV (trens de grande velocidade). Uma linha ligará Perpignan à Barcelona e, o trajeto que se faz em pouco mais de duas horas de carro, poderá ser feito em torno de 30 minutos. Quem quiser economizar um pouco pode pegar o IDTGV, cuja reserva e impressão dos bilhetes são feitas online. Só não perca o trem ou o seu dinheiro não será reembolsado... Essa é uma das desvantagens em comparação ao tradicional TGV.

Mas, fazendo um parêntese no capítulo Languedoc-Roussillon, não deixe de visitar Avignon. A cidade é incrível! Foi a única, fora o Vaticano que serviu de residência para os papas. E, em junho e julho, ela ainda fica mais charmosa graças aos Festivais In e Off. O primeiro é mais sofisticado e caro, enquanto o segundo é mais alternativo e possui centenas de peças de teatro. Cinemas, escolas, galpões, ruas... tudo vira teatro em Avignon. Os inúmeros cartazes, espalhados pela rua, dão um toque especial, como se transformassem caos visual em cenário de uma bela paisagem em Avignon, em uma obra de arte.

Alors, bon voyage!

sábado, 16 de agosto de 2008

Radiohead e a China

Num momento em que os olhos estão voltados para a Ásia e as Olimpíadas de Pequim, no qual todos só pensam na vitória, na união... acho conveniente dar uma olhadinha no clipe feito por Radiohead - All I need. Não precisaria de comentário algum, as imagens falam por si; dois mundos completamente distintos, mas tão interligados. É bom pensarmos na "economia" que fazemos quando vemos a etiqueta "Made in China". Fica aí o clipe, pois acredito que Tom Yorke aborda o assunto muito melhor do que eu.


quinta-feira, 19 de junho de 2008

O sucesso de Pushing Daisies

Quem é fã de Amélie Poulain provavelmente ficará viciado na série estadunidense Pushing Daisies. O próprio criador – Bryan Fuller - assumiu que a inspiração veio do filme francês. As cores, sempre vibrantes e dando a impressão de que se está numa pintura, num mundo de faz de conta, no qual os personagens poderiam ser “bonequinhos”, dão um diferencial e também ajudam a prender a atenção do telespectador.

O enredo é simples, leve, com uma pitada de humor negro, pois o tema é a morte e um amor difícil, porém não impossível, um amor que atravessou a barreira até mesmo da morte e que tem que conviver com o fato das personagens principais – Chuck (Anne Friel) e Ned (Lee Pace) – não puderem se tocar. Entretanto, eles sempre arrumam uma maneira para demonstrar o infinito sentimento que sentem um pelo outro.

Ned descobriu, aos nove anos, que tinha um dom, o qual o traria bastante problemas. Todas as pessoas nas quais ele tocasse, morreriam. Com um segundo toque, Ned as ressuscitaria, porém, caso o ressuscitado passasse mais de 60 segundos vivo, outra pessoa morreria em seu lugar.
O garotinho cresceu e se tornou um confeiteiro, com uma loja especializada em tortas. As frutas com que ele faz as tortas geralmente são velhas, podres, todavia elas ficam perfeitas ao serem tocadas por Ned.

Mas, obviamente, que um triangulo amoroso não poderia faltar. Olive (Kristin Chenoweth), que trabalha na confeitaria, é apaixonada por Ned, aparentemente a única que ele pode tocar sem que perca a vida.

O seriado tem inúmeras parábolas e lições imersas no enredo e essa é uma delas... estar tão perto da pessoa querida, porém não poder tocá-la ou até mesmo ser criativo e ultrapassar barreiras para que no final o amor e a amizade vençam, como no caso de Ned e Chuck que usam diversas artimanhas para se sentirem um pouquinho mais próximos.
Outro diferencial da série é a duração. A primeira temporada de Pushing Daisies foi bem curtinha, tendo apenas nove capítulos. Uma nova temporada está prevista para estrear nos Estados Unidos em setembro.

Pushing Daisies concorreu a diversos prêmios dentre eles ao Globo de Ouro nas categorias: melhor atriz (Anne Friel), melhor ator em série – comédia ou musical (Lee Pace) e melhor série – comédia ou musical.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Jornalismo e desinformação

O papel do jornalismo é informar, mas será isto ocorre realmente? A forma como as matérias são redigidas favorecem o entendimento? O que prevaleceria na hora de veicular alguma notícia? Leão Serva tenta responder a estas e outras perguntas no livro Jornalismo e desinformação. “No caso do jornalismo atual, a surpresa advém ainda menos da natureza do evento e mais do próprio processamento jornalístico”, fala Serva.

As notícias são separadas em editoriais, porém isso não impede que tenha, por exemplo, economia em uma matéria do caderno de esportes. A avaliação da importância das notícias pelas editoriais é que faz a diferença entre os jornais.

Mas será que essas notícias são bem compreendidas pelos leitores? Elas são veiculadas, na maioria dos casos, sem contexto fazendo quem ler pensar se tratar de uma novidade. Um exemplo utilizado no livro é o da Iugoslávia, pois os conflitos são reflexos de centenas de anos de brigas internas e desavenças éticas, que culminaram com o ocorrido em Kossovo, na década de 90.

Para Serva, “a notícia é apenas uma parte da história, um fotograma de um filme de longa metragem”, por isso não pode ser compreendida isoladamente. Mas quase nenhum veículo está disposto a analisar as causas das matérias, eles apenas publicam as conseqüências. É preciso que o leitor esteja “desinformado”, ache tudo uma surpresa para comprar o jornal.

A informação é deformada devido a alguns casos de “submissão” (quando um fato tem uma edição que não permite ao receptor entender e deter a real importância do ocorrido ou até mesmo o significado). A desinformação funcional e a saturação são imposições do sistema econômico, controlador da economia da informação, indústria e comércio de signos. O leitor “compra” tanta informação que não consegue organizá-la. “O ‘Grande Irmão’ não nos olha, mas nos obriga a olhar para ele permanentemente.”

As grandes empresas necessitam eliminar a voz do cidadão, como “na sociedade democrática não é possível retirar do receptor o poder de emissão, então esse processo é feito através da saturação dos canais de emissão”. O excesso informativo é causa da perda de poder individual, o primeiro seria o de manipular informações.

As matérias são reduzidas com o propósito de facilitar o entendimento, mas nem sempre isso acontece. Há casos distintos de redução: um em busca da uniformidade, já que histórias complexas não podem ser vinculadas; por parcialidade, que implicam elementos culturais e ideológicos implícitos, além da observação de campo. E quando se isola e descontextualiza um fato, ele perde a essência.

A busca pelo “novo” faz os desdobramentos de algumas notícias serem esquecidos. Dessa forma é imposta “a desinformação sobre as conseqüências a longo prazo de fatos que um dia soaram surpreendentes ou sobre as origens de longo prazo de fatos que o surpreenderão em outro momento”.
O “esquentamento das notícias” trata-se aberturas novas a textos relacionados a fatos anteriores. Mesmo quando se tem um desfecho previsto, a imprensa dá um jeito de tornar a situação numa novidade.

Leão Serva resuma esta situação quando diz que “a técnica jornalística, tal como é entendida e praticada hoje – confecção de produtos compostos de informações -, não atende ao objetivo de permitir a compreensão dos acontecimentos, mesmo daqueles que porventura venham a se tornar fatos de interesse para a cobertura de imprensa”. Esse processo do jornalismo causa a incompreensão porque não leva em consideração o passado nem o presente. Até o formato do lide não ajuda o entendimento das matérias, pois se redige primeiro o fato desconhecido.

O jornalismo é que unifica sociedades que vêem o tempo de maneiras diferentes. O consumidor, no caso o leitor, e a personagem permanecem distantes, cada um com sua tradição cultural, mais uma fator que dificulta a compreensão e facilita a desinformação.





Para saber mais:

Jornalismo e desinformação
Autor: Leão Serva
Editora: Senac
ISBN: 8573591927
Ano: 2001
Edição: 1
Número de páginas: 144

domingo, 20 de abril de 2008

Dia mundial do livro

No dia 23 de abril comemora-se o dia mundial do livro. Vamos fazer com que as crianças e os jovens descubram o prazer da leitura!!